A pequena voz sibilante começou a falar.
(- olá…
- olá menina… tanto tempo. Pensei em ti…. quer dizer, sonhei contigo. Engraçado vires falar comigo.
- (revirar de olhos) hum hum. Está tudo bem contigo?
- sim. Apaixonei-me.
- Que bom.
- Sim… Mas tu eras diferente.)
… nesse instante a menina ligou o piloto automático da imaginação:
É. Muitas pessoas (entenda-se homens) são como as procissões de vila. Há um estandarte com um santo e uma pessoa que segura nele. Só essa pessoa lhe sabe o peso, o modo de pegar… e ele só está seguro nessas mãos.
Mas, não sei porquê, do santo insistem em sair umas leves fitas. 2 fitas – para mais 2 pessoas que vão a segurar nelas. Isso fez-me sempre confusão. Quer dizer, esses 2 na realidade não seguram em nada, a fita não acrescenta nada à segurança do santo, só adorna – dá um ar.
Está bem então: lá vão os 3 felizes (um mais que os outros) e lá vai o santo radiante. Seguro por duas mãos que lhe têm fé, e por mais 4, para o caso da fé nas primeiras lhe faltar e lhe apetecer mudar.
Eu prefiro dar o lugar da fita a outra pessoa. Vou esperar que abram vagas para santo.